Distrações cristãs

Cultos de domingo, grupos pequenos e outras distrações cristãs

Às vezes, coisas muito boas podem ter algumas consequências muito perigosas.

Como um pastor, uma das coisas que eu sempre tentei fazer é levar as pessoas a se envolverem totalmente com os ministérios da igreja local; assistindo ao cultos regularmente, encontrando pequenos grupos, onde possam encontrar verdadeira comunhão e prestação de contas, estudando a Bíblia juntos com mais fervor e desenvolvendo uma vida de oração ativa e vibrante.

Ultimamente, porém, eu estou começando a repensar um pouco essa tática.

Sim, essas coisas são todas partes vitais de viver o que significa seguir Jesus, mas para muitas pessoas que aceitam a Cristo, elas se tornaram distrações intencionais; propositais, distrações seguras para nós, assim como efetivamente evitamos fazer o trabalho perigoso, desconfortável que é amar e servir as pessoas do lado de fora da igreja.

Não é novidade para ninguém que faz parte de uma igreja local por qualquer período de tempo, que a maioria delas tendem a ser entidades bastante isoladas como uma ilha, tornando-se mais reservadas, olhando para o próprio umbigo, enquanto se tornam maiores e mais "bem sucedidas".

Por mais que falemos durante nossos cultos dominicais sobre "fazer discípulos de todas as nações", ou sobre "buscar e salvar o que estava perdido", ou sobre "alcançar o mundo para Jesus", todos nós também, muitas vezes, ficamos preocupados com as comodidades e regalias que nós temos desfrutado como membros do clube religioso. A igreja para nós, muitas vezes, pode passar a ter menos a ver com nos equipar pessoalmente para, de forma tangível, trazer o amor ao mundo ferido, e muito mais a ver com receber... e receber... e receber.

Toda semana durante a maior parte das últimas duas décadas, como um pastor de uma grande igreja, eu tinha uma primeira fileira de cadeiras para alguns momentos incrivelmente poderosos durante nossas reuniões de domingo. Pessoas se compreenderam o amor de Deus para elas pela primeira vez, outras assumiram compromissos de honrar seu casamento, de recuperar sua sobriedade, e dedicar suas vidas a Cristo de novo.

Há momentos em que a congregação está cantando junto, ou alguém está dando testemunho incrível, ou compartilhando uma mensagem desafiadora e inspiradora e as pessoas estão realmente tocadas e mudadas. Há momentos em que uma euforia percorre todo o salão e a presença de Deus é tangível.

Mas muitas vezes nos últimos anos, enquanto isso está acontecendo; no meio do momento, eu me pego pensando sobre o que está acontecendo ao mesmo tempo, um pouco além das paredes de nossas auditórios e santuários, apenas uma centena de metros do lugar em que estamos louvando.
  • As pessoas estão sofrendo. Seriamente.
  • Os casamentos são pendurado por um fio.
  • As crianças estão famintas; de fome e atenção.
  • Depressão, ansiedade e pensamentos suicidas à solta pelas mentes dos adolescentes.
  • As pessoas bebem, para entorpecer.
  • Elas assistem filme pornô, para substituir.
  • Elas se cortam, para tentar lidar.
  • Elas vasculham o Facebook, para escapar.
  • Elas suportam trabalho e a escola dia após dia e vão para a cama se perguntando por que deveriam se levantar de manhã.
  • Elas se sentem perdidos, sem rumo e sem esperança.
E o tempo todo, nenhuma delas está pensando: "Eu realmente espero que as centenas de cristãos naquele edifício entrem para um grupo pequeno."

O que elas provavelmente estão fazendo é esperando que alguém entre no espaço delas, que se intrometa em sua rotina, e dê a elas uma razão para continuar. Elas estão procurando por nós, quem tem o que temos, que sabe o que sabemos, que vá além dos limites dos nossos confortáveis clubes cristãos e levar o amor radical por Jesus, já.

Enquanto isso, estaremos fazendo um outro estudo de 12 semanas sobre o quanto Deus ama o mundo.

Igreja, quantas vezes nós precisamos realmente ler e estudar Jesus dizendo para nos tornarmos "servo de todos", ou para "amar os nossos inimigos" e para "abençoar aqueles que nos maltratam", quantas vezes nós precisamos ver o Seu amor pelos pobres, ou Seu cuidado com o faminto, ou Sua compaixão para com os órfãos e as viúvas, antes de fazermos um esforço para viver isso?

Quanto de exegese que temos que fazer, antes de compreender adequadamente o suficiente para ir e "amar os mais pequeninos"?

Eu acho que Jesus deve olhar para a Sua Igreja e ficar se perguntando: "Quantos domingos mais vocês irão precisar, antes que você esteja pronta para realmente fazer algumas dessas coisas?"

Eu não estou dizendo que a comunidade cristã não é extremamente importante, ou que os cultos de adoração e pequenos grupos não são lugares de transformação e crescimento espiritual. Eles certamente tem sido isso para mim e para muitos que eu conheço.

Mas também tenho visto eles se tornando muletas espirituais; lugares para falar e falar e falar sobre as belíssimas palavras de Jesus, literalmente, durante anos, enquanto nos escondemos da responsabilidade de andar fisicamente os Seus passos; deixarmos a zona de conforto e encarar o mundo e toda a sua bagunça.

Então, estejam juntos, cantem no domingo ou sempre que se reunirem. Estudem e orem juntos. Carreguem os fardos uns dos outros, repartam o pão e encorajem uns aos outros. Mas não esperem muito tempo até colocar sua fé em ação em prol daquelas pessoas.

Não deixe o fato de estar na igreja te desvie de ser igreja.

Artigo extraído e traduzido do site: http://johnpavlovitz.com

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.